CHARLES DARWIN

O nascimento da Biologia do Comportamento

Leia Mais

EVOLUCIONISMO CULTURAL

A “ciência da cultura” e as origens da Sociologia e da Antropologia

CULTURALISMO

A importância de se conhecer as particularidades de cada povo

BIOLOGIA SOCIOLOGIA

História do Riso

Alegria, bom humor, desânimo, sofrimento, amor, surpresa, medo, raiva... Os comportamentos e as expressões emotivas são tão reveladores da evolução dos seres humanos e de outros animais como as características físicas.

Leia Mais

O documentário acompanha o trabalho de cientistas que estudam o riso e o apontam como uma maneira básica dos seres humanos e de outras espécies expressarem emoções.

O interesse pelo riso não é recente, Platão dedicou muita atenção a essa expressão e aos seus significados. Charles Darwin

também incluiu o riso em estudos que traçavam relações entre as emoções expressadas por diferentes grupos étnicos espalhados pelo mundo e mesmo entre seres de diferentes espécies. No documentário, cientistas revelam por que estão estudando o riso e mostram um dos seus principais métodos científicos: a observação

  • Assista a esse documentário no site da TV Escola

  • Assista ao 3º episódio do Sala de Professor

  • Baixe a Ficha Pedagógica do 3º episódio

O estudo de padrões de comportamento em diferentes espécies apontou novas evidências à teoria da evolução das espécies pela seleção natural de Charles Darwin

Tanto quanto características físicas corporais, como o formato dos ossos ou dos dentes, o comportamento dos animais, evidenciados em suas expressões emocionais, são características confiáveis para o estudo da evolução das espécies. Foi o que concluiu o naturalista britânico Charles Darwin em estudo que resultou no livro “A expressão das emoções nos homens e nos animais”, de 1872.

Na obra, Darwin propõe uma reflexão sobre as diferentes emoções manifestas pelos animais por meio de suas expressões faciais e corporais. Com isso, o naturalista examina e explica os movimentos expressivos do ponto de vista de sua funcionalidade no processo de adaptação dos indivíduos ao meio. O estudo lhe forneceu uma oferta ainda maior de evidências para fundamentar a teoria da evolução das espécies, aventada por ele em sua obra seminal de 1859

“A origem das espécies por meio da seleção natural.”

Darwin descreve as expressões relativas a diferentes estados de humor comuns à maioria dos animais – inclusive aos seres humanos. O objetivo do naturalista era proporcionar a mais segura base para se generalizar as causas, ou origens, dos vários movimentos de expressão.

O aspecto mais inovador do estudo de Darwin está na análise acerca das complexas emoções e expressões do homem. Para ele, as expressões humanas são herdadas de nossos antepassados, uma vez que se manifestam em indivíduos de diferentes culturas. Logo, seriam a evidência de uma ancestralidade comum das espécies.

Para o naturalista, “sempre que determinadas mudanças nas feições e

no corpo exprimirem as mesmas emoções nas diferentes raças humanas, poderemos inferir, com grande probabilidade, que estas são expressões verdadeiras, ou seja, que são inatas ou instintivas. Expressões ou gestos adquiridos por convenção na infância provavelmente difeririam tanto quanto diferem as línguas.”

Darwin dedicou especial atenção à expressão em crianças, “pois elas exibem um grande número de emoções, com extraordinária intensidade”, e em loucos, “pois eles são dados às mais intensas paixões e as manifestam sem nenhum controle.” A lista de emoções e expressões humanas caracterizadas por Darwin a partir do estudo de fotografias e de relatos obtidos juntos a contatos do Império Britânico espalhados por todo o planeta resultou na seguinte classificação:

Expressões e emoções: características que revelam adaptações de animais ao meio e que apontam à ancestralidade comum de algumas espécies

No livro “A expressão das emoções nos homens e nos animais”, Charles Darwin analisa o comportamento emotivo em diferentes espécies, entre elas cavalos, cães, gatos e primatas. Para ele, expandir o estudo para além dos humanos era fundamental para se generalizar as origens dos diferentes movimentos expressivos, já que “ao observar animais, estamos menos propensos a nos deixar influenciar pela nossa imaginação

e podemos estar seguros de que suas expressões não são convencionadas.”

Dentre os vários comportamentos pesquisados por Darwin nos animais, ele destaca as diferentes maneiras de provocar medo em rivais ou inimigos, como a emissão de sons, o eriçamento de pelos, o alargamento do corpo, o repuxo e a pressão das orelhas contra a cabeça.

O riso também foi objeto de análise por parte do naturalista britânico. Ele identificou as características que distinguem a expressão de prazer e alegria da expressão de afeição em diferentes tipos de primatas. Na ilustração que segue, Darwin descreve como o riso é demonstrado por um Cynopithecus, uma espécie de babuíno:

O surgimento das Ciências Sociais e a visão enviesada dos primeiros cientistas sociais que associavam a noção de progresso à evolução

A amplitude e a penetração do Império Britânico (ver mapa) possibilitaram tanto a Charles Darwin como aos pioneiros das Ciências Sociais – sobretudo a Antropologia e Sociologia - uma ampla base de dados e informações. Mas, diferentemente do naturalista, que priorizava a pesquisa por meio da observação direta, os estudiosos da nova área faziam suas análises por meio do cruzamento de informações, identificando a ocorrência de fenômenos recorrentes – método que ficou conhecido como “antropologia de gabinete.”

Inspirados no próprio Darwin e nos estudos do filósofo Hebert Spencer – que já havia utilizado o termo “evolução” em sua obra “Social Statics” ,de 1851, os primeiros pensadores das Ciências Sociais associaram a ideia de seleção natural à de progresso. Com isso, propuseram a noção de “evolucionismo cultural”, que consistia numa escala evolutiva

ascendente que classificava os vários estágios de desenvolvimento dos diferentes povos do planeta a partir de uma perspectiva etnocêntrica europeia.

Um desses pensadores foi Edward Taylor, que definiu o conceito de cultura em sua obra “A ciência da cultura” de 1871. Assim como ele, pesquisadores como Lewis Morgan e James Frazer postulavam a existência de “estágios históricos de uma evolução linear” entre as diferentes culturas analisadas – partindo dos mais “atrasados” ou que viviam na barbárie, os aborígenes australianos, até os mais “evoluídos” ou civilizados, os romanos.

As culturas “primitivas” seriam as mais atrasadas em função da ausência de estruturas como o Estado, a família monogâmica, a propriedade privada, a ciência e a religião monoteísta.

O relativismo da diversidade cultural humana e a crítica à pesquisa de “gabinete”

A noção de cultura e o próprio desenvolvimento das Ciências Sociais sofreram mudanças significativas a partir da publicação, em 1896, do livro “As limitações do método comparativo da Antropologia”, do norte-americano de origem alemã Franz Boas. Na obra o pesquisador tece duras críticas aos trabalhos predecessores que pregavam uma hierarquia evolutiva entre os diferentes povos.

Boas defendia que as comparações de informações entre as várias comunidades só seriam possíveis após se verificar a “comparabilidade do material”. Ele compreendia a cultura como expressão da diversidade humana. Por isso, defendia a pluralidade em vez da singularidade que preconizava o ponto de vista europeísta.

O pesquisador também foi crítico da “antropologia de gabinete”, asseverando a confiabilidade metodológica do estudo de campo nos trabalhos antropológicos. Seu método histórico encarava as particularidades de cada cultura, aceitando toda a diversidade cultural humana. “O método histórico atingiu uma base mais sólida ao abandonar o princípio enganoso de supor conexões onde quer que se encontrem similaridades culturais.”

Acompanhe as principais diferenças entre o “evolucionismo cultural” e o “culturalismo” de Franz Boas.

Trabalho interdisciplinar reúne Sociologia e Biologia em atividade sobre as expressões humanas manifestadas por crianças

Para associar a Biologia e a Sociologia em uma atividade interdisciplinar, os professores devem organizar grupos de trabalho de até cinco alunos. O trabalho é desenvolvido em duas etapas: