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Portinari: o poeta da cor

Gênio brasileiro das Artes Plásticas, Portinari desenvolveu um estilo que expressou a realidade profunda do país, sua gente sofrida, os migrantes maltrapidos e os contrastes de uma sociedade marcada pela desigualdade.

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Cândido Portinari foi o maior artista plástico brasileiro do século 20. Premiado e reconhecido internacionalmente, Portinari soube olhar para o Brasil e retratá-lo a partir de seus habitantes; mostrou a inocência das crianças e o flagelo dos retirantes nordestinos; mostrou a poesia e a dor de um povo. O documentário

mostra a vida desse intelectual que saiu da pequena Brodowski para conhecer o mundo e aí então olhar melhor para o seu próprio país. No programa Sala de Professor, as disciplinas de Língua Portuguesa e Arte se unem para promover uma leitura integrada da obra de Portinari.

  • Assista a esse documentário no site da TV Escola

  • Assista ao 5º episódio do Sala de Professor

  • Baixe a Ficha Pedagógica do 5º episódio

Sempre fiel às memórias e experiências de sua infância no interior paulista, conseguiu captar as turbulências políticas no Brasil e no Mundo e evidenciá-las nas telas

Nascido em 1903 na cidade de Brodowski, região produtora de café no interior paulista, o jovem Cândido Portinari desenvolveu-se artística e intelectualmente num momento de grande efervescência política, turbulências econômico-sociais, guerras de violência sem precedentes e rupturas culturais e estéticas radicais. Na França, para onde foi em 1928 depois de ganhar uma bolsa de estudos, teve a oportunidade de aprimorar sua técnica e de ter contato com as vanguardas em profusão à época.

Foi na temporada parisiense que Portinari tomou a decisão que nortearia toda a sua produção artística: pintar a sua terra e a sua gente. De volta ao Brasil, ao mesmo tempo em que produzia retratos para se sustentar financeiramente, começou a desenvolver seu estilo de pintura, que valorizava todo o colorido da fauna, da flora e da sociedade multi-étnica nacional.

Entretanto, longe de ser um ufanista acrítico, Portinari mais que representava a cultura nacional. Suas telas mergulhavam no Brasil profundo, o país que o jovem de Brodowski via na sua infância interiorana, quando convivia com os lavradores de café, os descendentes de escravos, os migrantes que chegavam esfarrapados e decrépitos a São Paulo depois de verdadeiras odisseias a pé desde os sertões nordestinos. A miséria, a dor, o sofrimento dos excluídos brasileiros ganharam vida nos traços peculiares do artista.

A obra de Portinari, em que pesa o caráter regionalista daquilo que expressava, mantinha uma estética e uma atitude que dialogava com a vanguarda artística mundial daquele início de século XX e colocaram o artista entre os ícones da segunda fase do modernismo brasileiro.

Portinari foi um dos símbolos da geração que usou o talento artístico para chamar atenção para as mazelas sociais e empreender mudanças em favor do povo brasileiro

A segunda fase do movimento modernista brasileiro, entre 1930 e 1945, é caracterizada por um engajamento político ainda mais incisivo dos artistas que, inconformados com a penúria vivenciada pela maior parte da população, buscavam fomentar movimentos de mudança social por meio de suas obras – sempre preocupados em mantê-las ao alcance do povo, fora do exclusivismo das galerias refinadas.

As preocupações sociais permearam

não apenas a obra de Cândido Portinari, mas também de outros artistas emblemáticos da época, como Emílio Di Cavalcanti, Lasar Segall, Alberto da Veiga Guignard, Eugênio Sigaud, os membros do Clube da Gravura e a própria Tarsila do Amaral, em sua segunda fase. Isso sem mencionar os grandes nomes da literatura, tanto da poesia como do romance regionalista, com os quais a obra de Portinari dialogava vividamente.

Os ideais revolucionários

transformadores constituíram-se na poética pessoal de Portinari. Sua necessidade de agir, de superar as mazelas do povo que tanto amava, o levou para a política, filiando-se ao Partido Comunista do Brasil (PCB), como fizeram outros grandes nomes da época, como Jorge Amado.

A sensibilidade de Portinari com a tragédia social que afligia a maior parte da população foi expressa em muitas de suas obras e também em suas poesias, como no caso dos retirantes:

Portinari político

Portinari filiou-se ao PCB em 1945 e concorreu a deputado federal, no mesmo ano, e a senador pelo estado de São Paulo em 1947. Neste último pleito, Portinari era apontado pelas pesquisas como amplo favorito, mas acabou derrotado por uma pequena margem de votos – o que levantou suspeitas de fraude.

Com o PCB colocado na ilegalidade em 1948, Portinari teve de se exilar com a família no Uruguai. O engajamento comunista custou-lhe a ausência na inauguração de uma de suas obras primas: o painel “Guerra e Paz”, que ornaria o prédio das Nações Unidas em Nova York. A proibição dos EUA de comparecer ao evento lhe causou imenso amargor.



Portinari construiu uma relação de amizade e de profissionalismo com grandes nomes da literatura brasileira do século XX, em especial os poetas e os romancistas regionalistas



O documentário “Portinari: o poeta da cor” explora a relação do pintor de Brodowski com a esplendorosa geração de escritores brasileiros engendrada a partir da Semana de Arte Moderna de 1922 e consolidada na segunda fase do movimento Modernista, entre 1930 e 1945. O artista foi um dos grandes fomentadores das discussões estéticas, artísticas e sócio-políticas entre a engajada intelectualidade brasileira da época.

Inspirando e inspirando-se em trabalhos de grandes nomes da literatura, Portinari foi um dos epicentros da produção artística brasileira da época. Sua ligação era tanto com os poetas – Cecília Meirelles, Vinícius de Moraes, Manoel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade

– como com os proeminentes romancistas do movimento regionalista brasileiro – Jorge Amado, Guimarães Rosa, Rachel de Queiróz, José Lins do Rêgo, Graciliano Ramos, Érico Veríssimo.

Sua relação com os escritores transcendeu o plano intelectual e tornou-se profissional. Em 1952, Portinari trabalhou como ilustrador na revista Cruzeiro representando os fascículos semanais do romance “Os Cangaceiros”, de José Lins do Rêgo. Do mesmo autor, estampou as páginas da edição histórica de “Menino do Engenho”. Além disso, o pintor ilustrou a edição especial de um clássico da literatura brasileira: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

Outro clássico ilustrado pelo artista foi “Dom Quixote”, publicado pelo espanhol Miguel de Cervantes no século XVII. Foram 21 gravuras elaboradas para uma edição histórica da obra – projeto que acabara abandonado pela editora. Em 1972, Carlos Drummond de Andrade publicou 21 poemas em “Quixote e Sancho Pança, de Portinari”, inspirando-se nas ilustrações do pintor brasileiro para empreender uma releitura poética de um dos maiores clássicos da literatura universal. Um exemplo notável das possibilidades advindas do diálogo entre as artes visuais e a escrita.

Poemas, crônicas, artigos ou reportagens. Atividade interdisciplinar propõe que alunos elaborem textos a partir da interpretação das obras de Portinari



Assim como Carlos Drummond de Andrade inspirou-se nas ilustrações feitas por Cândido Portinari sobre Dom Quixote para escrever uma série de poemas, outro grande nome da nossa poesia, Vinícius de Moraes, encantou-se com a obra do pintor e transformou este sentimento em versos. O poeta escreveu “Azul e Branco” para expressar seu fascínio com os painéis de azulejo elaborados por Portinari para ornamentar as paredes do prédio do então Ministério da Educação e Cultura no Rio de Janeiro – marco mundial da arquitetura modernista.

Na proposta de atividade interdisciplinar envolvendo as Artes e a Língua Portuguesa, com base no documentário “Portinari: O poeta da cor”, os professores deverão fazer com que seus alunos, assim como Drummond e Vinícius, se encantem com a obra do pintor de Brodowski e, partir daí, produzam textos alusivos ao que veem nas telas, as mensagem que lhes são transmitidas.

Divididos em grupos de três, os alunos produzirão diferentes tipos de textos – poesia, prosa, artigos ou reportagens – que serão posteriormente apresentados ao restante da turma num grande sarau.