QUAL O VALOR?

A Matemática e o dia a dia.

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SISTEMA DECIMAL

Como os números hindu-arábicos desenvolveram a economia financeira.

INFLAÇÃO

O fenômeno da desvalorização da moeda e seu histórico traumático no Brasil.

HISTÓRIA MATEMÁTICA

Sonhos de Avareza

Aceito universalmente por convenção social, o dinheiro teve papel decisivo para o desenvolvimento da humanidade. Seja no formato de conchas, punhados de sal, escravos, moedas de metal, cédulas ou cartão de crédito, o dinheiro tem muito a dizer sobre a História.

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O documentário Sonhos de Avareza revela a lógica de funcionamento do sistema financeiro mundial, um setor que surgiu nos bancos de praça da Europa Medieval e que se tornou a poderosa força econômica e política do mundo atual. O documentário vai a diversos países para explicar como diferentes civilizações lidaram com as relações de troca e com as moedas e ainda explica como essas moedas perderam o valor do próprio metal e ganharam o valor da confiança no pagador, ou seja, o crédito.

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1Dinheiro: um conceito abstrato

As relações econômicas se desenvolveram por meio de um sistema de confiança que faz com que as pessoas acreditem no valor estipulado de uma moeda. Como se vê no documentário “Sonhos de Avareza”, essa noção de credibilidade foi essencial para o desenvolvimento do capitalismo

O uso do dinheiro nada mais é que uma operação abstrata que atende a uma necessidade específica das relações econômicas: a existência de um material que é aceito como elemento de troca. Antes das moedas, as trocas comerciais eram precificadas pelos produtos de maior interesse, como o gado, a seda, as conchas, o sal e os escravos. Foi pela escassez ou dificuldade de obtenção deles que a solução do dinheiro emergiu.

O sistema bancário também está baseado na relação de confiança que assegura que o valor estipulado em uma cédula será reconhecido como tal nas trocas comerciais de produtos e serviços. Nesse sentido é ilustrativo o exemplo do cheque: o banco autoriza uma pessoa a usar um pedaço de papel assinado e com o valor descrito para fazer uma compra; quem o recebe tem a confiança de que o banco lhe pagará o dinheiro devido quando apresentar o papel.

Sem a confiança, o sistema monetário é inviável. Tal relação de credibilidade é ainda mais importante nos tempos atuais, quando a tecnologia nos permite gastar o dinheiro que ainda não temos, desde que tenhamos o compromissos de pagarmos o banco ou a operadora de cartão de crédito numa data estipulada.

Como é tratado no documentário “Sonhos de Avareza”, esse complexo sistema monetário, que hoje comporta um sem numero de artifícios e mecanismos financeiros, se desenvolveu a partir do fortalecimento das cidades estados italianas na fase final da Idade Media. Foi com esses instrumentos que muito do desenvolvimento sócio-econômico foi possibilitado. Mas o sistema também de fragilidades capazes de gerar catástrofes, como foi a crise financeira de 2008.

2A História nas moedas

Mais do que um instrumento que possibilita as troca nas relações comerciais, a moeda carrega um alto valor simbólico, podendo representar personagens, épocas e a cultura dos países

Dificilmente nos interessamos em analisar aquilo que está escrito ou desenhado nas cédulas e moedas, afinal, o que nos interessa mesmo é o valor financeiro que elas expressam. Mas se atentarmos para os outros dados representados, veremos que o dinheiro contem muitas informações sobre a sociedade que o produziu.

Há sempre informações geográficas, como o local em que foi produzida; o material de fabricação; seu valor nominal; a assinatura das autoridades responsáveis pela emissão; a data de produção; a presença de imagens e símbolos referenciais; sem contar o acabamento artístico presente nas cédulas e nas moedas.

Não à toa, o forte caráter simbólico do dinheiro como documento representativo de uma sociedade chamou a atenção de reis, imperadores e líderes políticos, que utilizaram cédulas e moedas como instrumento de propaganda em suas estratégias de se legitimar junto à população.

Confira as personalidades e símbolos da cultura nacional representadas pelas cédulas e moedas brasileiras desde os tempos do Brasil imperial:

3Um fantasma que assombrou o Brasil

A inflação, fenômeno econômico decorrente da desvalorização da moeda, abala as sociedades desde a antiguidade e foi particularmente cruel com o Brasil entre os anos 1980 e 1990

A perda do valor de compra das moedas nacionais é um evento recorrente na história da civilização, levando economias à ruína, desencadeando guerras e condenando nações ao atraso social. Mais do que o aumento do preço – como geralmente é entendida -, a inflação significa a existência de excesso de dinheiro em circulação sem que haja produtos e serviços em escala suficiente para atender à demanda causada pela fartura de moeda.

Mas para se caracterizar o processo inflacionário, os economistas dizem que é preciso ocorrer uma alta generalizada de preços de bens e serviços durante determinado período.

Caso emblemático de inflação aconteceu no período inicial de colonização das Américas. A Espanha, grande potencia da época, teve acesso a enormes quantidades de ouro e prata em seus domínios, obtidos a custa da escravidão e do genocídio das populações nativas. As toneladas de metais preciosos, entretanto, não fizeram do país uma nação próspera, já que a abundância levou à queda de seu valor e desencadeou um processo inflacionário. A riqueza das Américas foi, em grande parte, transferida para a Inglaterra, cujas manufaturas abasteciam os mercados espanhóis. No documentário “A ascensão do dinheiro” explica o episódio:

No Brasil, a inflação traumatizou toda uma geração entre os anos 1980 e os anos 1990. Enquanto nas décadas anteriores, os índices inflacionários anuais giravam em torno de 40%, nos anos 1980 essa media alcançou os 330%, subindo para 764% nos anos antes da entrada em vigor do Plano Real (1994). Em março de 1990, a índice mensal atingiu incríveis 82,7% - era a hiperinflação.

O fenômeno inflacionário desorganizava a economia nacional e tornava imprevisível e penosa a vida dos cidadãos, que tinham dificuldade de planejar o futuro num cenário de tamanha instabilidade.

Confira as personalidades e símbolos da cultura nacional representadas pelas cédulas e moedas brasileiras desde os tempos do Brasil imperial:

4Matemática Financeira

A adoção do sistema decimal na Europa no fim da Idade Média foi o passo inicial para o desenvolvimento de instrumentos financeiros que temos hoje

Foi a partir de Veneza, entreposto comercial entre o Oriente e o Ocidente, que a Europa adotou o sistema numérico decimal – ou números hindu-arábicos; o que acabou sendo decisivo para o desenvolvimento da matemática financeira e de instrumentos advindos da evolução dos cálculos complexos.

A introdução do 0 (zero) e a substituição dos algarismos romanos foram cruciais para o desenvolvimento do comércio; veja a diferença entre a resolução de um cálculo em algarismos romanos e hindu-arábicos.

O desenvolvimento da matemática complexa, associado a um momento histórico no qual antigos dogmas religiosos eram relativizados, está na origem do capitalismo moderno. A cobrança de juros sobre os empréstimos foi sendo incorporada ao comércio, o que permitiu investimentos maiores nas trocas de produtos e o fortalecimentos das instituições bancárias.

Hoje os juros estão presente na vida de praticamente todos. A modalidade mais praticada pelo sistema financeiro hoje é a dos juros compostos – modelo que oferece maior rentabilidade. Mais conhecida como “juros sobre juros”, incide mês a mês sobre a soma cumulativa do capital com o rendimento mensal.

Está presente no cálculo de diferentes operações bancárias, como a poupança e o passivo do cartão de crédito. Veja como funciona:

5A Economia do cotidiano

O ensino da educação financeira se tornou política pública no Brasil. É fundamental que o cidadão aprenda conceitos e cálculos básicos para poupar e enfrentar os desafios cotidianos

A matemática financeira é um dos ramos da educação financeira, disciplina mais ampla que analisa os diversos instrumentos e fenômenos com os quais as pessoas têm de lidar em sua vida econômica.

Educar o cidadão para lidar com os instrumentos financeiros é importante não apenas para livrá-los do endividamento, mas para que possam poupar – o que é importante para a saúde financeira do país. Nos últimos anos a poupança do brasileiro vem apresentando índices decrescentes.

O endividamento crescente do brasileiro fez o governo tratar o te- ma da educação financeira como uma política pública, que passou e a ser ministrada nas instituições de ensino básico.

Decreto nº 7.397, de 22 de dezembo de 2010:

Fica instituída a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) com a finalidade de promover a educação financeira e previdenciária e contribuir para o fortalecimento da cidadania, a eficiência e solidez do sistema financeiro nacional e a tomada de decisões conscientes por parte dos consumidores.

Uma proposta para unir as disciplinas de História e Matemática na sala de aula é propor aos alunos “o quanto eles custam” por meio de uma planilha na qual ele coloque seus rendimentos e gastos ao longo de um período determinado. A partir daí, ele poderá ver não apenas o “seu preço”, mas também seu nível de endividamento ou de poupança.

Na página do Banco Central do Brasil existe uma série de ferramentas e aplicativos que os cidadãos podem utilizar para administrar melhor suas finanças. Lá é possível encontrar as taxas de juros e as cotações aplicadas no mercado financeiro, as instituições autorizadas a atuar no Brasil e a calculadora do cidadão, um aplicativo que pode ser instalado em tablets e smartphones para ajudar a calcular juros de financiamentos e compras e o rendimento de aplicações financeiras.

Conheça essas ferramentas no endereço http://www.bcb.gov.br/?calculadora