HISTÓRIA DE PERDAS

Saiba como o território boliviano foi retalhado em guerras

Leia Mais

TRANSFORMAÇÃO

Chegada ao poder de líder indígena muda história do país

ESPERANÇA

Riquezas naturais são a chave do futuro da Bolívia

HISTÓRIA GEOGRAFIA

Os Bolivianos

País que possui a maior fronteira com o Brasil, a Bolívia tem grande diversidade cultural e geográfica, é rica em recursos naturais e importante parceiro comercial brasileiro, mas, apesar de tudo isso, ainda é pouco estudada em nossas escolas.

Leia Mais

O documentário mostra um panorama atual da Bolívia, uma nação situada no meio da América do Sul e com mais de 12 mil anos de história. A região fez parte do poderoso Império Inca, foi explorada por espanhóis e teve graves problemas internos e externos até chegar a nação que hoje busca consolidar sua democracia dando legitimidade e voz a todas as 

etnias que vivem em seu território, construindo a almejada República Plurinacional da Bolívia. Os professores de História e Geografia convidados do programa Sala de Professor aproveitaram o documentário para sugerir um trabalho que estuda a formação histórica da Bolívia e ainda lança um olhar sobre a diversidade étnica brasileira.

  • Assista a esse documentário no site da TV Escola

  • Assista ao 17º episódio do Sala de Professor

  • Baixe a Ficha Pedagógica do 17º episódio

1As batalhas perdidas

Bolívia perdeu cerca de um terço de seu território após guerras com Chile e Paraguai e o conflito do Acre com o Brasil

O território era tão importante que ali foi criada a “Audiência de Charcas”, tribunal responsável pela justiça em parte do território colonial espanhol, e que constituiu a demarcação da Bolívia quando ela tornou-se independente, em 1825. Três guerras, porém, privaram o país de cerca de um terço de seu tamanho original.

O primeiro conflito, com o Chile, privou a Bolívia de sua saída para o mar, o porto de Antofagasta, no Pacífico. Para os bolivianos, o acesso a ele era difícil, pois era preciso cruzar o deserto do Atacama.

Como os chilenos chegavam mais facilmente à região, investiram na exploração de riquezas minerais na área e acabaram tomando-a em 1879.

Entre 1900 e 1903, a Bolívia viu os brasileiros avançarem rumo a sua parte da Amazônia para explorar borracha. Para sanar o conflito, os dois governos assinaram o Tratado de Petrópolis, que anexou o território ao Brasil, dando origem ao Acre.

A contrapartida seria a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, que

ligaria a Bolívia ao Atlântico pelos rios amazônicos, mas que não foi finalizada.

Entre 1932 e 1935, por fim, ocorreu a Guerra do Chaco, em que a Bolívia perdeu mais uma porção do seu território, desta vez para o Paraguai. Foi o último conflito que definiu as fronteiras atuais do país.

2Uma nação redescoberta

Após ascensão ao poder de líder indígena, no século XXI, Bolívia faz as pazes com sua riqueza cultural

Retratados por décadas como figuras do subdesenvolvimento, da pobreza e do atraso, os bolivianos começaram a mudar essa visão em 2005, quando elegeram o líder cocalero Evo Morales, de origem indígena, para a presidência da república. Ligado aos movimentos populares, ele promoveu, desde então, a redescoberta do orgulho nacional.

 O marco desse novo país foi a constituição de 2009, que reconheceu as 36 etnias existentes no território como nações, que, juntas, passaram a compor o Estado Plurinacional da Bolívia. Até mesmo uma nova bandeira foi concebida para representar essa pluralidade. Uma definição mais que justa para

um país em que 90% da população se declara indígena ou mestiça. Entre as etnias bolivianas, destacam-se a Quechua e a Aymara, que juntas compõem 45% da população. Povos que ocupam o território desde períodos muito anteriores à invasão espanhola e que ficaram durante séculos submetidos a relações de opressão e de desigualdade. A constituição de 2009 ainda prevê a existência da Justiça Indígena Campesina, em coexistência com a Justiça Comum do país. Com isso, o Estado boliviano passou a dialogar com a justiça ancestral do país.

3Rica em recursos naturais

As regiões geográficas da Bolívia fazem o país rico em recursos naturais e em pontos turísticos 

Na Bolívia, pode-se identificar quatro grandes regiões geográficas: os Andes (incluindo o altiplano), na porção oeste do país; a planície do Chaco, ao sul; a planície amazônica, ao norte; e a planície da parte de Santa Cruz, a leste. Essa diversidade faz o país rico em recursos naturais, especialmente em minerais, como a prata, o cobre e o zinco. Destaca-se também a exploração de estanho, do petróleo e de gás natural.

Com a ascensão ao poder de Evo Morales, em 2005, a Bolívia nacionalizou as reservas de hidrocarbonetos do país. Mesmo assim, o gás segue sendo explorado em grande parte pela empresa brasileira Petrobrás. O Brasil, aliás, é seu maior parceiro econômico, ao responder por aproximadamente 42% das exportações bolivianas e 17% das importações. 

Maior deserto de sal do mundo, o Salar do Uyuni é importantíssimo para a economia do país. O local tem a maior reserva de lítio do planeta, além de quantidades significativas de potássio, boro e magnésio. O lítio é um metal raro, importante na produção de ligas metálicas, pilhas e baterias usadas em celulares e computadores. Com 29% da reserva mundial do mineral, a Bolívia vê nele a solução para muitos de seus problemas. 

A diversidade de paisagens faz da Bolívia, ainda, um país de imenso potencial turístico, com locais únicos, como o próprio Salar de Uyuni ou o Lago Titicaca, considerado o lago navegável mais alto do mundo, 3821m acima do nível do mar. O país conta também com sítios arqueológicos históricos, como, por exemplo, o da civilização Tihuanaco. 

4Uma conversa entre História e Geografia

As disciplinas se misturam quando forma-se um mosaico da Bolívia, com paisagens, etnias e produtos 

Para conhecer um pouco mais da Bolívia, propõe-se a montagem de um mosaico. Divididos em grupos, os alunos separariam imagens em temas relacionados ao país, como etnias, paisagens naturais, produtos, elementos culturais, fauna e flora. Tudo que puder representar ou que os alunos identificarem como parte

do país é válido para o exercício. A junção das peças dos mesmos grupos seria feita em um quadro com o formato do mapa boliviano, formando uma figura final que represente a ideia que os alunos fazem da Bolívia, que pode ser discutida na sequência.