BERÇO DA HUMANIDADE

Foi da África que os humanos partiram para conquistar o mundo

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PANGEIA

O supercontinente que, ao longo de bilhões de anos, moldou o planeta em que vivemos

PERÍODO SUPERLATIVO

Eras geológicas: o tempo da Terra é bem diferente do vivenciado pelos humanos

BIOLOGIA GEOGRAFIA

Jornada Humana: As Américas

O continente americano foi a última barreira a ser transposta pelo ser humano em seu bem sucedido povoamento do Planeta Terra. Novas teorias e evidências revelam as possíveis trajetórias percorridas pelos primeiros ancestrais dos americanos.

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A partir de sua origem no continente africano, os humanos realizaram a incrível odisseia pelos continentes e conseguiram povoar todo o planeta. Nesse episódio da série Jornada Humana pesquisadores investigam as hipóteses sobre a chegada dos seres humanos ao continente americano, uma região sem contato terrestre com a Ásia e que era uma gigantesca geleira

na época dessa migração. Professores de Biologia e Geografia convidados para o programa Sala de Professor utilizaram esse documentário para desenvolver um projeto que aborda conceitos de cultura, povo e etnia bem como de evolução, especiação e isolamento geográfico e a própria natureza da ciência.

  • Assista a esse documentário no site da TV Escola

  • Assista ao 19º episódio do Sala de Professor

  • Baixe a Ficha Pedagógica do 19º episódio

1América: A última barreira aos humanos

Desde a África, o ser humano moderno levou dezenas de milhares de anos percorrendo o planeta até chegar ao continente americano

Cerca de sete bilhões de seres humanos habitam praticamente todos os rincões da Terra. A ocupação do planeta pela homem data de cerca de 70 mil anos atrás, quando iniciou-se uma epopeia de dezenas de milhares de anos. Foi quando pequenos grupos desta espécie relativamente jovem - pesquisas recentes apontam o surgimento do homem moderno há pelo menos 195 mil anos - saiu da África e iniciou a jornada que os espalhou por todos os continentes. A última e mais desafiadora etapa desta longa aventura foi povoar a América.

Como pode-se observar no documentário “A Jornada Humana: as Américas”, até cerca de 15 mil anos atrás não existiam vestígios da espécie humana no continente. A hipótese mais aceita entre os pesquisadores do tema é que a ocupação do

solo americano se deu durante a última Era do Gelo – entre 18 e 15 mil anos atrás. Nesse período, com o nível dos oceanos mais baixo, estima-se que os 80 km do estreito de Bering era formado por terra, unindo a Sibéria ao Alasca.

Já espalhados pela África, Europa, Ásia e Oceania, os humanos teriam atravessado essa parte extrema do planeta e aportado numa terra coberta de gelo, com imensos paredões a serem escalados e com difícil acesso à alimentação. Estudos demonstram que foi por meio de uma estreita faixa de terra que descongelou, os chamados mantos, que os primitivos americanos foram descendo do atual Canadá para ir conquistando o continente. Fósseis de artefatos humanos na região de Clovis, na Califórnia (EUA), datados de cerca de 13 mil anos, evidenciam a teoria da chegada

da do homem por meio do Estreito de Bering.

Além disso, estudos genéticos identificaram semelhanças entre o DNA de populações nativas na costa oeste americana e as da Sibéria. Diversos outros estudos em diferentes áreas das Américas apontam para esta identidade entre os americanos e os povos do extremo Oriente. Entretanto, como será tratado mais à frente, fósseis de crânios encontrados no Brasil, reconstituídos por especialistas, demonstram mais similitude com africanos e aborígenes da Austrália do que com siberianos. Ou seja, é possível que mais de uma rota tenha sido utilizada pelos nossos ancestrais para chegar ao continente americano.

2As rotas alternativas

Evidências como a descoberta da ossada de Luzia, no Brasil, apontam que os humanos podem ter chegado à América por outros meios além do estreito de Bering

A hipótese do homem ter chegado às América através do Estreito de Bering durante a última Era do Gelo era plenamente aceita pela comunidade científica até que uma descoberta na região de Lagoa Santa, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), indicou que podem ter existido mais caminhos para à jornada humana até o continente americano. Em 1975, o fóssil de Luzia evidenciou que nem todos os habitantes do continente eram parentes dos populações da Sibéria.

A análise do crânio de Luzia – em exibição na atualmente no Museu da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro (RJ) -, indica que tratava-se de um jovem de uns 22 anos, com 1,5m de altura, que habitou a região de Lagoa Santa há cerca de 11,5 mil anos. O fóssil foi reconstituído na Universidade de Manchester, no Reino Unido, nos anos 1990.

O resultado do estudo demonstrou de Luzia tinha traços característicos

de populações negroides, tendo muito mais semelhança com os africanos ou aborígenes australianos do que com os siberianos – que majoritariamente ocuparam as Américas. A descoberta do fóssil da jovem acabou por jogar ainda mais mistério sobre como o homem conseguiu atravessar a barreira final em sua jornada de ocupação do Planeta.

Como aventado no programa Sala de Professor, existe a possibilidade de porções de humanos terem migrado diretamente da África para o continente americano. Isso teria sido possível em função do nível do Oceano Atlântico, à época da migração, estar cerca de 60 metros abaixo no nível atual. Mesmo em embarcações rudimentares, cogita-se que os africanos tenham se aproveitado das correntes marítimas atlânticas para, ao longo de gerações, percorrer as ilhas que existiam no caminho até chegar às Américas.

3Evolução química

Pangeia: o papel do supercontinente na evolução das espécies e a lógica de tempo diferenciada dos territórios


Os continentes que hoje abrigam sete bilhões de seres humanos já formaram uma massa única de território. Há cerca de 250 milhões de anos, durante o período Permiano, a Pangeia era uma espécie de supercontinente.

4 A Especiação: as barreiras geográficas e seu papel na evolução

O movimento dos continentes teve implicações no sur- gimento de novas espécies a partir de um mesmo ancestral

O estudo do movimento dos continentes desde a Pangeia é também fundamental para se com- preender um dos pontos centrais da teoria da evolução das espécies: a especiação. Entender como apa- recem e desaparecem as espécies é possível por meio da análise de evi- dências arqueológicas. Um mesmo ancestral que vivia em uma região da Pangeia pode ter dado origem a diferentes espécies. Aquelas melhor adaptadas às novas condições am- bientais e à separação geográfica, desenvolvendo o isolamento repro- dutivo, prosperaram.

É o caso do Moa, espécie ancestral da família das Ratitas – aves que não voam -, que viveu no subcontinente da Gondwana. Mutações aleatórias levaram ao surgimentos de sub- grupos populacionais. Os que, além de conseguir estabelecer um isola- mento reprodutivo, foram capazes de sobreviver às condições ambi- entais, acabaram bem sucedidos, como a ema, na América do Sul; o avestruz, na África; os emus, na Austrália; e o Kiwi, na Nova Zelândia.

No gráfico abaixo pode-se acompanhar a separação do supercon- tinente Pangeia e como isso influiu na formação da família das Ratitas:

5Interdisciplinariedade na criação de mapas

Atividade de Geografia e Biologia estimula a pesquisa e a produção de mapas com rotas alternativas para a ocupação humano no planeta Terra

A criação de mapas recheados de evidências e de possíveis rotas percorridas pelos humanos até a América. Essa é a proposta da ativi- dade interdisciplinar que une con- ceitos da Biologia e da Geografia. Sobre um mapa antigo, em uma cartolina desenhada ou mesmo em uma versão digital, os alunos de- verão demonstrar o conhecimento apreendido sobre a jornada humana ao continente americano.

Ao assistir ao documentário “A Jornada Humana: As Américas”, os

alunos deverão anotar as diferentes evidências nas quais se baseiam as hipóteses sobre a ocupação do continente, como os fósseis em Clóvis (Novo México, EUA); Lagoa Santa (Minas Gerais, Brasil), Los Lagos (Chile), Ilha de Santa Rosa (Califórnia, EUA).

Depois, divididos em grupos, deveram pesquisar na biblioteca e na internet outras evidências que pos- sam corroborar as hipóteses de trajetos, por exemplo: a informação sobre o nível dos oceanos milhares de anos

atrás. Todas essas evidências deverão ser colocadas no mapa e, a partir disso, os alunos deveram montar rotas com alfinetes, barbantes ou ferramentas digitais.

Os mapas confeccionados pelos alunos deverão ser expostos poste- riormente para que todos possam ver as pesquisas e as hipóteses aventadas pelos colegas. Acom- panhe, abaixo, como essa atividade foi realizada no programa Sala de Professor: