COMUNICAÇÃO

Entenda as funções biológicas das colorações dos animais

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ESTAMPAS

Formas e cores que inspiram a criação de tecidos

PADRONAGEM

A técnica de multiplicar imagem em larga escala

artes visuais BIOLOGIA

Madagascar

Localizada no sudeste africano, a ilha de Madagascar abriga uma das maiores quantidades de animais endêmicos do planeta. As características físicas singulares desses seres inspiram a criatividade humana e provocam o diálogo entre a Biologia e as Artes Visuais.

O documentário revela as belezas de Madagascar, um lugar único, uma ilha que se separou do continente africano há milhões de anos e que teve um processo evolucionário próprio, propiciando o desenvolvimento de um número extraordinário de espécies animais e vegetais endêmicas. Ameaçada por um intenso processo de ocupação humana, Madagascar já perdeu 90% de sua cobertura vegetal natural e só 3% do país encontra-se preservado.

A incrível biodiversidade de Madagascar corre um enorme risco de desaparecer.

A partir do filme, professores de Arte e Biologia se reuniram para apresentar um trabalho interdisciplinar no programa Sala de Professor. Juntos, investigaram tópicos das relações ecológicas e evolutivas e utilizaram padrões da natureza para realizar um painel artístico.

Madagascar tem uma das mais ricas biodiversidades do planeta

Separada da África há 160 milhões de anos e da Índia há cerca de 80 milhões de anos, o isolamento de Madagascar possibilitou que plantas e animais tivessem um processo evolutivo independente do restante do planeta. Tamanho isolamento geográfico deu origem a uma abundância de bioversidade.

Hoje, a ilha do sudeste africano abriga 5% de todas as planta e

animais do planeta. Cerca de 200 mil espécies são encontradas no território de 587mil km². Mais de 80% desses seres só existem ali, o que transformou o país africano num dos lugares mais importantes para o estudo da vida na Terra.

Apesar da riqueza de sua biodiversidade, Madagascar corre risco de perder o que resta de suas

terras virgens para o avanço do homem na região. Desde que começou a ser povoada, há 2.300 anos, a ilha perdeu mais de 90% de sua floresta original. Nos dias de hoje, 22 milhões de pessoas vivem no país, e as matas restantes só passaram a ser protegidas depois da criação dos parques nacionais.

Mimetismo e o aposematismo são essenciais para a vida de muitos seres

A cena mostra o tronco de uma árvore, aparentemente, sem nada. Quando o foco é aproximado, vemos que, na casca, esconde-se um lagarto, perfeitamente camuflado. A imagem do documentário Madagascar permite ao professor de Biologia inserir os tópicos do mimetismo e do aposematismo na concepção de relações ecológicas e evolutivas.

O réptil de Madagascar, que tem cores e texturas muito semelhantes às do tronco, é um exemplo de mimetismo ou camuflagem, quando o animal se funde com o ambiente para evitar que seja visto por presas ou predadores, dependendo da situação. Vários outros casos de mimetismo podem ser mostrados aos alunos em sala de aula, como o bicho-pau, a zebra, a baleia orca e a cobra urutú-cruzeiro.

Em outros casos, a evolução fez com que a coloração e pelagem dos animais se destacasse no ambiente. É o chamado aposematismo. Nesse caso, a função de imagens e cores na pele é de iludir e assustar competidores, presas e predadores.

Anfíbios podem apresentar coloração de alerta, peixes podem simular olhos na cauda e borboletas aparentar serem corujas. Um dos exemplos mais conhecidos é a cobra coral falsa, que simula a periculosidade da coral verdadeira por meio das faixas vermelhas, pretas e brancas.

Padrões da natureza sempre serviram de modelo para a criação humana

Desde os tempos mais remotos, o homem se utiliza de imagens e padrões encontrados na natureza para desenvolver pinturas corporais. Várias culturas, em todas as partes do planeta, beberam dessa fonte de inspiração para criar sua própria identidade visual por meio das estampas.

Depois de simular padrões animais no próprio corpo, por meio de pinturas, o homem passou a expressar essa arte nas roupas que usava. Para conseguir repetir a padronagem em larga escala,

desenvolveu diversas técnicas de impressão. Na Índia, onde surgiu a Chita, elaborou-se o Block Printing, um modo de impressão por blocos, como ser fossem carimbos.

Por meio dessa técnica, os artesãos entalham um bloco de madeira para criar o modelo da estampa que será utilizada nas roupas. Apesar de ser um processo milenar, o Block Printing ainda é amplamente utilizado na Índia. Uma arte popular que possibilita a repetição de padrões em vários tipos de tecido.

A história da produção da chita ou chitão no Brasil ilustra bem essa prática. Sua tradição remonta ao tecido indiano estampado (originalmente chamado chintz), que foi levado pelos portugueses e holandeses para a Europa no século XVII e, posteriormente, ao Brasil. A produção local de chita começou no século XIX e hoje é amplamente comum pelo país.

A atividade interdisciplinar envolve a criação de um mural de imagens

A proposta de atividade interdisciplinar é convocar os jovens a produzirem um grande mural para ser utilizado como painel na parede da sala, ou até mesmo no muro da escola.

O primeiro passo é fazer uma saída a campo para os alunos registrarem desenhos de flores e folhas que mais lhes chamarem a atenção – vale registrar com os celulares, com máquinas fotográficas e até mesmo desenhando.

De volta à escola, os alunos deverão aprender a representar no papel as imagens captadas. Eles devem explorar a riqueza do desenho geométrico através do conceito de polígonos inscritos e, assim, formar um estêncil com o formato desejado, que, posteriormente, será passado ao mural.